sexta-feira, 30 de maio de 2014

Hipnose - Colando a mão, o copo e a cadeira

[Hoje, começamos uma série de postagens com rotinas de hipnose.
Antes de iniciar essa rotina, lembre-se de já ter estabelecido o rapport. Se possível, utilize alguma rotina de pseudo-hipnose como preparação do sujeito. O indivíduo precisa estar sentado à uma mesa. Esse é um bom exemplo de como podemos concatenar varias sugestões, uma em seguida da outra.]

Você é destro ou canhoto?

[Suponha que ele tenha respondido que e destro]

Eu preciso que você coloque sua mão direita aberta sobre a mesa.   .   . Isso.   .   .

[Lembre-se de sempre acompanhar e conduzir]

Você pode deixar o seu braço esquerdo de lado, solto ao lado da sua perna esquerda.

[A posição da mão esquerda é irrelevante. No entanto, dessa maneira, você cria um comando extra, que torna o indivíduo ainda mais aberto à sugestão]

Agora, olhe para um ponto específico da sua mão.   .   . Permita que sua atenção seja totalmente absorvida pela sua mão.   .   . Continue olhando continuamente para esse ponto.   .   .

[Se o indivíduo estiver usando algum tipo de anel, peça que foque sua atenção nesse objeto. No próximo capítulo, você aprenderá algumas induções hipnóticas baseadas na fixação do olhar. Ainda que essa rotina não envolva uma indução hipnótica, a fixação do olhar facilita bastante na execução da rotina, já que ela força o sujeito a prestar bastante atenção a tudo aquilo que o hipnotista irá dizer.]

Continue olhando fixamente para sua mão.   .   . e sinta sua mão tocando a mesa.   .   .

[Ao mencionar o contato da mão do sujeito com a mesa, você sugere que ele preste atenção nesse contato, criando um elemento fisiológico a ser agregado a sua sugestão]

Sinta sua mão tocando a mesa.   .   . Sinta a maneira como a mesa empurra sua mão para cima.   .   .

[Já fiz várias vezes essa rotina em bares e restaurantes. Se você estiver realizando-a em algum ambiente barulhento, utilize-se do próprio barulho ao redor do sujeito para aumentar ainda mais a sua concentração.]

O barulho ao seu redor.   .   . as pessoas conversando.   .   . apenas servem para que você preste ainda mais atenção à atração que sua mão exerce sobre a mesa e à atração que a mesa exerce sobre sua mão.   .   .

Enquanto você sente sua mão sendo atraída pela mesa, gostaria que você imaginasse uma cola muito poderosa, sendo espalhada entre sua mão e a parte superior da mesa.   .   . A cola começa a se espalhar pela sua mão.   .   . e pela mesa.   .   . Quanto mais a cola se espalha, mais sua mão fica colada e presa sobre a mesa.   .   . Mais colada.   .   . mais presa.   .   . Quanto mais você olha para sua mão, mais colada ela fica.   .   . Enquanto ela fica ainda mais presa, ainda mais colada, me responda: O que está mais preso, a palma da sua mão ou seus dedos?

[James Rolph utiliza-se dessa pergunta para instalar ainda mais a sugestão. Na verdade, a resposta não importa muito. No entanto, utilize-se da própria resposta do sujeito para instalar ainda mais a sugestão. Suponha que o indivíduo tenha respondido que os dedos estão mais presos]

Os dedos .   .   . os dedos estão mais presos.   .   . Observe como os dedos podem ficar ainda mais colados.   .   . completamente presos.   .   .

[Se quiser, pode acrescentar um pequeno elemento fisiológico a essa sugestão. Toque com a sua mão os dedos do sujeito, pressionando-os levemente sobre a mesa]

Completamente colados.   .   . Quanto mais seus dedos estão colados, mais colada fica a palma da sua mão.   .   . Nesse momento, farei uma contagem até cinco. Quando chegar no número cinco, e apenas nesse momento, você tentará levantar seus dedos, mas sem conseguir.

[A partícula “mas” é muito poderosa. Ela funciona como um verdadeiro apagador. Ao utilizá-la, você substitui o comando da frase que precede a partícula “mas” pelo comando da frase posterior. Nesse caso, a palavra “mas” apaga o comando “você tentará levantar seus dedos”, instalando apenas a frase que vem depois “mas não vai conseguir”. Se você não se importar em cometer erros de português, pode simplesmente falar a frase: “Você tentará levantar seus dedos, mas não consegue”. Ainda que esteja com erro de concordância, o uso da forma imperativa do verbo conseguir (consegue) favorece a instalação da sugestão]

1.  .  .  . A cola está secando e seus dedos estão ficando completamente colados.

 [Enquanto avança na contagem, aumente a imperatividade de seu discurso]

2.  .  .  . A cola está quase seca e seus dedos estão completamente colados.  .  .  .  Completamente colados.  .  .  .

3.  .  .  .  a cola já está completamente seca e seus dedos já estão completamente colados.  .  .  . 

Quanto mais você tentar descolar os dedos, mais colados eles vão ficar.  .  .  .  .  Mais colados.  .  .  .

4.  .  .  . Quanto mais você tentar descolar os dedos ou suas mãos, mais colados eles vão ficar.  .  .  .  .  Cada vez mais colados.  .  .  .

5.  .  .  . Tente levantar seus dedos, mas sem conseguir.  .  .  .

Quanto mais força você faz, mais colados eles ficam.  .  .  .

Cada vez mais colados.  .  .  . 

Completamente colados.  .  .  .

[Após a tentativa frustrada do sujeito em levantar a mão, pergunte]

Eu te disse. Estão completamente colados. Como é essa sensação?

[Ele vai responder. Utilize-se da própria resposta do sujeito para instalar ainda mais os próximos comandos. Suponha que ele tenha respondido que é estranha]

Realmente é uma sensação estranha.   .   . muito estranha.   .   . Você está em um transe ou algo assim?

[James Rolph realiza essa pergunta com o objetivo de instalar ainda mais a sugestão. Geralmente, os sujeitos vão responder que não estão em transe. Independentemente da resposta, simplesmente repita-a para instalar ainda mais a sugestão. Suponha que ele tenha respondido que não está em transe]

Não. .. você está completamente acordado e sua mão está completamente presa.   .   . O que acontece quando você tenta levantá-la?

[A resposta não importa muito. O importante é você repeti-la, aumentando o rapport e instalando ainda mais as sugestões. Suponha que ele responda que ela gruda ainda mais. ]

Ela gruda ainda mais. Em algum momento, vou tocar as costas de sua mão.   .   . Quando eu fizer isso.   .   . e apenas quando eu fizer isso.. sua mão ficará completamente livre e você poderá movê-la facilmente.   .   .

[Para encerrar a sugestão, basta tocar as costas da mão do sujeito. No entanto, se quiser instalar ainda mais sugestões no sujeito, continue dizendo]

Antes de sua mão ser liberada, algo ainda mais interessante vai ocorrer.   .   . Mas você ainda não sabe.   .   . 

[Nesse momento, instalamos no sujeito a expectativa sobre as próximas sensações. Ele já está impressionado com a rotina e certamente está ansioso pelas outras sensações que poderá sentir]

Agora, vou tocar nas costas da sua mão.   .   .

[toque levemente as costas da mão do sujeito]

Você sente o afrouxamento da sua mão.   .   . Aos poucos, ela vai se libertando.   .   . Mas o interessante é que quando eu fiz isso.   .   .

[repita no ar o gesto do toque que você acaba de fazer]

.   .   . sua mão descolou-se, mas seu copo de cerveja.   .   . e isso é algo estranho.   .   . tornou-se preso à mesa.   .   . enquanto você sente a sua mão sendo descolada, o copo vai se colocando ainda mais à mesa.

[Observe que utilizei novamente a palavra “estranho”. Essa palavra foi a mesma utilizada pelo sujeito para descrever a sensação da mão colada sobre a mesa. Ainda que seja apenas uma sugestão, o sujeito realmente sente uma sensação fisiológica (ou seja, real) da mão sendo libertada. Sabiamente, James Rolph aproveita-se dessa sensação para instalar a nova sugestão: o copo colado sobre a mesa]

Enquanto sua mão é liberada, o copo fica mais e mais colado sobre a mesa.   .   . Segure o copo.   .   . mas bem levemente.   .   . não queremos correr o risco de o copo derramar e você desperdiçar toda a sua cerveja.   .   .

[Essa é uma sacada genial do James Rolph. Provavelmente, a sugestão do copo colado sobre a mesa já está instalada. No entanto, ele não quer correr o risco e prefere utilizar-se de mais elementos para instalar ainda mais a sugestão]

Segure levemente o copo.   .   . Enquanto você sente o copo gelado sobre sua mão, ele cola ainda mais na mesa.   .   .

[Esse foi um elemento que eu inseri a essa rotina. Oras, ainda que a cerveja ou refrigerante não estejam tão gelados, o copo geralmente está. Dessa maneira, não custa nada utilizarmos desse elemento fisiológico para instalar ainda mais a sugestão.  ]

Tente levantar o copo, mas sem conseguir.   .   .

[Se você estiver inseguro, pode incluir uma contagem de um a cinco envolvendo a sensação do copo gelado e o fato de ele se tornar mais e mais colado à mesa]

O copo está completamente colado à mesa.   .   . Quanto mais você tenta, mais colado o copo fica sobre a mesa.   .   . Você até consegue deslizar o copo sobre a mesa, mas não consegue levantá-lo.

[Após ouvir o seu comando, o sujeito vai tentar deslizar o copo sobre a mesa. Você acaba de utilizar o “deslizar” como um comando disfarçado para colar o copo ainda mais à mesa]

No momento em que eu estalar os dedos e apenas quando eu estalar os dedos, o copo ficará livre da mesa, mas seus dedos continuarão presos ao copo.

[Estale os dedos]

Lentamente, tente levantar o copo. Enquanto você levanta o copo, seus dedos ficam mais e ais presos.   .   . mais e mais colados.   .   .

[Esses comandos envolvem elementos fisiológicos óbvios. Oras, o sujeito vai levantar o copo. Para isso, ele vai necessariamente prender os dedos ao copo. No entanto, você se aproveita dessa sensação para induzir ainda mais a sugestão de que os dedos estão presos ao copo]

Enquanto movimenta o copo no ar, seus dedos ficam ainda mais presos, ainda mais colados.   .   .

[Nesse momento, você pode interromper o processo ou instalar uma nova sugestão a partir dessa. Suponha que você deseja instalar ainda mais uma sugestão.]

Lentamente, coloque o copo sobre a mesa: como disse anteriormente, não queremos desperdiçar sua cerveja..

Quando eu estalar meus dedos, mas apenas quando eu estalar os dedos, o copo ficará livre. No entanto, mais uma vez, algo ainda mais incrível acontecerá no momento em que eu estalar os dedos.

[Estale os dedos]

Lentamente, seus dedos se descolam do copo.   .   . Mas enquanto se descolam, você percebe que sua bunda está presa ao assento.   .   . Quanto mais seus dedos se descolam, mais sua bunda fica presa ao assento. Cada vez mais presa.   .   . Cada vez mais presa.   .   . Quanto mais você tenta levantar-se, mais preso você fica à cadeira.   .   .
Tente levantar-se, mas não consegue.

[Observe o imperativo “não consegue” e o erro proposital de concordância. Se estiver inseguro em relação às respostas do sujeito, crie uma nova contagem para instalar ainda mais a sugestão de o indivíduo estar preso à cadeira]


 [Mais uma vez, você pode interromper o processo ou instalar uma nova sugestão a partir dessa. 
Suponha que você deseja interromper o processo]

Quando eu estalar meus dedos, seu corpo estará livre.   .   .


[estale os dedos]

Um comentário:

Kleber Rodrigues disse...

Sensacional a descrição desta rotina! Parabéns!

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