quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Parapsicologia

 Continuando a série de postagens de ceticismo, resolvi postar sobre parapsicologia. Enquanto não tenho tempo para escrever um texto sobre o assunto, posto um texto (ácido e cético) que encontrei sobre o tema. Espero que gostem (ou não), mas comentem!!  A parapsicologia é uma disciplina que se enquadra dentro das pseudociências. Tem a duvidosa honra de ser a única pseudociência experimental, embora — a rigor — seja difícil chamar de experimento um teste de parapsicologia. Os fenômenos parapsicológicos ou fenômenos “psi” foram arbitrariamente divididos em:

* Telepatia, ou captação do conteúdo mental de outra pessoa.
* Clarividência, ou captação extra-sensorial de um objeto ou acontecimento objetivo.
* Precognição, ou captação extra-sensorial de acontecimentos futuros.
* Psicocinese, ou influência da mente sobre a matéria.



Os três primeiros pertencem à mal chamada percepção extra-sensorial, e o último engloba o grupo de fenômenos “físicos”. A parapsicologia concebe a mente como uma entidade separada do corpo e, em alguns casos, os parapsicólogos afirmam que os fenômenos não pertencem ao âmbito do mental, pondo a “psi” em um nível que estaria “mais além do psíquico ou mental”. Os fenômenos psi seriam:

a) independentes do espaço e do tempo;

b) erráticos, ou seja, não se pode saber quando vão apresentar-se;

c) involuntários; e

d) inconscientes.

Vejamos:

a) Ao serem independentes do espaço e do tempo, violam várias leis físicas, mas os parapsicólogos — em vez de duvidar da existência de um fenômeno tão peculiar — sustentam que é preciso reformar toda a física para que psi possa ser explicada (quando nem sequer está demonstrado que exista).

b) Com a desculpa da erraticidade, os parapsicólogos podem explicar seus fracassos dizendo que “como é errático, o fenômeno desta vez não se apresentou”. Quando obtém um resultado positivo dizem “desta vez se apresentou”. Isto é equivalente a afirmar que um remédio para a dor de cabeça deu resultado depois que a dor passou. Se a dor não passa, então se recorre à explicação seguinte: algo inibiu o efeito do remédio, a concentração dos componentes não era a correta, o paciente não estava predisposto, etc, etc.

c) Estes pretensos fenômenos não podem ser manejados à vontade, de maneira que não se pode propor a produção de um fenômeno a bel-prazer, em qualquer momento ou lugar. Esta vulgar desculpa é também frequentemente usada pelos supostos “mentalistas”, “videntes”, etc., quando a colher não se dobra ou as cartas não se acertam.

d) Outra característica — dizem os parapsicólogos — é que os fenômenos psi são inconscientes. Não se sabe quando nem como se experimenta a telepatia ou a clarividência. Às vezes pode-se perceber algo extra-sensorialmente e “transformá-lo” em uma sensação de tristeza, alegria, dor, sem dar-se conta de que se trata de um fenômeno psi genuíno. Com o mesmo rigor podemos dizer que temos um dragão verde dentro de nossa cabeça, só que o dragão dá um jeito para desmaterializar-se cada vez que nos tiram uma radiografia ou se “transforma” em uma sensação de calor, ansiedade, etc, etc.

Como vemos, a parapsicologia ignora a física, a biologia, a psicologia científica e todo e qualquer conhecimento que provenha da ciência. Não possui uma teoria que explique satisfatoriamente como um ente imaterial (psi) pode interagir com um sistema material (o cérebro). Tentou-se correlacionar os fenômenos psi com diversos aspectos: a personalidade, a atitude crédula ou incrédula, os estados alterados da consciência, a idade, o sexo, e se utilizou uma grande gama de instrumentos para levar a cabo investigações delineadas para pôr à prova a hipótese da existência de psi.

Fica ridículo começar a correlacionar a psi com qualquer característica ou habilidade se ainda não se provou sequer sua própria existência. Por isso dizemos que a parapsicologia não faz experimentos propriamente ditos. Primeiro deveria provar que a variável crucial psi existe. De igual maneira poder-se-ia propor a existência dos duendes plutonianos, os quais são invisíveis, erráticos e independentes do espaço e do tempo e começar a correlacionar sua presença com o estado de ânimo das pessoas, a personalidade, etc., sem corroborar primeiro que realmente existam.

Pelo que se vê, a parapsicologia está longe de transformar-se em uma ciência, apesar de que os parapsicólogos falam de “parapsicologia científica” ou “nova ciência”. Mais de 100 anos de pesquisas não conseguiram provar um só fenômeno psi. Foram feitos testes com animais, com plantas, com material subatômico, com cartas, desenhos, estados alterados de consciência, drogas, etc. Foram publicados experimentos assombrosos, mas quando se tentou repeti-los, o resultado foi o fracasso, com as consequentes desculpas pseudoexplicativas. As mais prestigiosas revistas dedicadas à parapsicologia deveriam publicar os milhares e milhares de testes que produziram resultados negativos para a hipótese psi.

Tendo em conta as objeções precedentes, devemos agregar a fraude, seja ela por parte dos investigadores ou pelos sujeitos “dotados” ou “sensitivos” que fazem trapaça durante os experimentos. Vários ilusionistas peritos têm recomendado que um mágico experimentado se encontre presente quando se faz uma investigação com sujeitos como o famoso Uri Geller, tão propensos à fraude. E o panorama desalentador se completa mencionando os delineamentos experimentais defeituosos, as análises estatísticas errôneas e outras falhas do gênero.

Antes de afirmar que psi existe, os parapsicólogos deveriam resolver certos aspectos cruciais e ainda pendentes de definição. Perguntas sem resposta:

* O que é “energia psíquica”?
* O que é psi?
* Por que psi é errática?
* Como sabemos que psi é inconsciente?
* Se psi não responde às leis naturais, a que leis responde?
* Se psi é errática e involuntária, por que há pessoas que parecem exercê-la à vontade em seus “consultórios profissionais”?

Fazendo um exame crítico e objetivo verificamos que não há provas nem sequer indícios a favor de psi, ou seja, da percepção extra-sensorial e da psicocinese. Para cúmulo, os parapsicólogos inventam novos termos para tratar de explicar o acaso. Exemplo: o que acontece quando uma pessoa acerta menos do que o esperado pelo acaso? Há percepção extra-sensorial negativa? Não. De maneira nenhuma. Preferem chamá-la “psi-missing” (perda de psi). Os mais audazes propõem que a pessoa nega inconscientemente o fenômeno e produz resultados inferiores ao esperado pelo acaso. Este é um procedimento típico da pseudociência.

Resumindo:

* Não há base experimental.
* Os resultados positivos são irrepetíveis.
* Tem sido detectada fraude em proporção alarmante.
* Tem se observado delineamentos experimentais defeituosos.
* Tem se descoberto análises estatísticas errôneas.
* Há uma incômoda maioria de resultados negativos (sem publicar).
* Há mais de 100 anos de pesquisas.
* As definições são vagas.
* Não existem hipóteses nem teorias explicativas.

Será preciso adicionar algo mais para percebermos que a parapsicologia é uma pseudociência?

* autor: Alejandro J. Borgo
* fonte: Paranormal e Pseudociência em exame

8 comentários:

Anônimo disse...

Muito bacana, da ficção para a ciência. Gostei do texto.

Rod disse...

O Dr. Sérgio Felipe de Oliveira, é neurocientista e médico psiquiátrica responsável pela disciplina optativa do curso – Medicina e Espiritualidade –
da Faculdade de Medicina da FMUSP, reconhecido internacionalmente pelas suas pesquisas em Medicina e Espiritualidade. Em suas pesquisas, aprofundou o conhecimento acerca da famigerada glândula pineal.
Seus estudos comprovaram que a referida glândula é constituida de cristais de apatita, o que implica que seu funcionamento é como um diamagnético, portanto, capaz de receber e de emitir ondas eletromagnéticas magnéticas do espaço. Acrescento, em paralelo, os estudos dos cientistas Vollrath e Semm que provaram que a pineal converte ondas eletromagnéticas em estímulos neuroquímicos (publicação na revista Nature, 1988).
A partir dai, uma série de fenômenos podem ser explicados.
Aqueles que se posicionarem como Descartes, que se usou da dúvida metódica comoo forma segura de chegar a um saber, hão de se debruçar sobre o assunto e encontrar uma chave plausível para a explicação de uma série de fenômenos da psi.
Mas aqueles que, como Hume e outros de sua época, engajam-se da dúvida cética e, não importando o que aconteça, mantém sempre seus olhos fechados para a realidade, não vale a pena se aprofundarem.
Aqueles que têm no âmago da alma a disposição sincera de um pesquisador há, no mínimo, de verificar a verossimilhança dos estudos desses homens, que tanto contribuem para uma mudança construtiva de paradigma da nossa atual ciência psi.
Então, quem tiver interesse, busquem no google (you tube) as palestras e reportagens sobre o Dr. Sérgio. Hão de gostar e encontrar um visão diferente!

Anônimo disse...

Waldo Vieira criticava a Parapsicologia por um erro metodológico básico, aplicar princípios cartesianos clássicos ao estudo de fenômenos incomuns. Mas o fato da Parapsicologia não se sustentar plenamente não invalida os fenômenos estudados por ela.

Natashi Bass disse...

Existem pelo menos mais dez, entre eles o desdobramento, bilocação, xenoglosia, levitação, clariaudiência e distúrbios de olfato(onde você capta cheiros que não estão no mesmo ambiente físico que você... Todos latentes em cada um de nós.

Natashi Bass disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bruno de Oliveira disse...

Nossa, citaram o Sergio Felipe como cientista reconhecido, aff, o cara é o rei da pseudociência:

http://ceticosblog.wordpress.com/2013/11/23/guia-cetico-para-a-palestra-a-glandula-pineal-sergio-felipe-de-oliveira/2/

jonathan ribeiro disse...

Assim como os artigos de parapsicologia são pseudociência, também esse artigo é bem unilateral, não trazendo nada de novo, apenas gerando questionamentos que se filiam ou não com as opções de cada indivíduo. "violam várias leis físicas" quais ? Existem leis físicas mutáveis e imutáveis ?, como vc disse é realmente um artigo bem ácido que da ânsia de ler, pois ataca de maneira hostil os parapsicólogos com expressões de somenos. De qualquer jeito acho sim produtivo haver questionamentos, porém não vulgares como esse. Só para constar não defendo nenhuma ideia, sendo que também uso do ceticismo para ir em busca do caminho da verdade, mas jamais uso nome da ciência para amoldar as minha opiniões arraigadas de ignorância.

João paulo disse...

Com todo o respeito, este artigo é tão pseudocientífico quanto à psi que pretende atacar. É apenas um artigo dogmático que apresenta Argumentos genérIcos. A ciência sempre evolui a partir do surgimento/evolução de suas leis. Adotar a teoria materialista como verdade real é, no mínimo, uma atitude leviana. é apenas o que pode se provar nesse momento.
o que seria da ciência atual se Einstein tivesse se convencido que todas as leis da física já haviam sido descobertas por Newton?
este blog apresenta conhecimentos interessantes sobre o funcionamento da mente que a maioria das pessoas desconhece. mas daí dizer que possui todas as explicações sobre a natureza desta máquina complexa e sobre o que há além dela é tão somente pseudociência. Mas a discussão é muito boa e salutar. Parabéns pelo trabalho.

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